13 de março de 2009

Coração de Pedra X Coração de Manteiga


HOJE fui ao funeral de um tio meu, fazia 73 anos este mês e foi o último dos “rapazes” a resistir (eram oito irmãos e já só restam dois). Era um tio querido, um eterno bem-disposto que gostava da vida.
Não tínhamos muito contacto, aliás, tal como com o resto da família. Nos últimos 20 anos quase que só nos encontrávamos em funerais de familiares.


Não chorei… não consegui colocar-me no lugar do outro, não senti a existência de laços suficientes, não sei…envergonho-me de não ter sentido uma dor proporcional ao grau de parentesco que tínhamos.


ONTEM fui assistir à final de um concurso de jovens oradores “Speak Out Challenger”, promovido/organizado pela Fundação Jack Petchey. De entre 600 estudantes foram seleccionados 16 para disputarem a final. Um deles é meu aluno e fui lá para o apoiar.


Por incrível que pareça, não me consegui controlar e chorei com as intervenções da maioria dos participantes. Limpei as lágrimas disfarçadamente porque me senti a fazer uma triste figurinha.


Laços com aqueles miúdos que nunca tinha visto? Sim! Senti-me mãe de todos eles…


Agora digam-me lá, se conseguirem, serei um coração de pedra ou de manteiga?


Nem eu própria me compreendo…quanto mais os outros!

8 comentários:

forteifeio disse...

És um coração. Nem de pedra nem de manteiga. Quem de nós nunca se questionou por essa dialéctica de emoções. As coisas são o que são. Nesse jovem viste uma oportunidade de vida. No teu tio que tanto gostavas, foi um final de ciclo, o lidar com a impotência da morte. Não te sintas assim. O que importa é o amor que podemos demonstrar enquanto as pessoas estão vivas. Isso sim!Isso vale a pena e choraste porque o sentiste. És uma pessoa, não és um Deus.

Ana GG disse...

OBRIGADA!
=)

Anónimo disse...

A vida é a vida e.... vive-se. A reciprocidade de coisas sentidas é das coisas mais fáceis de identificar. O coração, saindo dos contos lamechas, fala conosco.
As palavras, os ' melhores amigos ', os ' amigos ' e por aí fora, são um longo campo de coisas onde tropeçamos empurrados por erros. Nossos. Da vida. Que por vezes deixamos que vivam por nós.
Pareces-me uma coisa em bom GG. Genuína. Tua. Comme il faut !

bjooooo

Posso assinar assim

Anónimo ? :-)

Pronúncia disse...

O Forteifeio já disse tudo o que eu gostaria de te dizer.

A vida é isso mesmo. Não escolhemos as emoções, elas é que nos escolhem. E assim é que está bem, assim é que tem que ser.

Não tens nada que te recriminar, és apenas uma mulher sensível com um coração...

Benjinhos e fica bem ;)

Ana GG disse...

Bem...quer isto dizer que posso ficar mais descansada...

Tento ser genuína para comigo e para com os outros, é a minha filosofia de vida. Não há nada a esconder!

Geeeeeeee....sei que és anónimo!
;)

Ana GG disse...

Pronúncia

"Não escolhemos as emoções"...é isso, precisamente!

Beijinhos e bom fim de semana

Silvia F. disse...

Aconteceu-me o mesmo. Não me questionei sobre isso. Há certas pessoas que nos tocam mais, depende do contexto.
Porque te envergonhas de algo que não controlas? Os laços de sangue não são eternos, não havendo contacto era como se fosse mais uma pessoa que conhecias e que infelizmente faleceu.

Beijinhos

Ana GG disse...

Silvia

Mas incomoda...a mim incomoda-me este querer e não sentir.

bjo


obrigada pela visita!

pessoal que gosta de estar a par destas andanças

facebokiANOS a par desta coisa