4 de julho de 2012

mais prosa que poesia


Não sei se foi por as minhas árvores terem crescido desmesuradamente, podendo mesmo acrescentar que a uma delas falta apenas um 'Danoninho' para roçar o céu. O certo é que os pássaros este ano estão muito mais aguerridos e sem ponta de vergonha no bico...tomaram-me o quintal de assalto e assumiram o modesto latifúndio como sendo deles.

Podia alongar-me aqui em frases poéticas sobre o chilrear das aves e outros afins, porque sim, porque gosto de pássaros em liberdade. São bonitos...belos mesmo, poderia afirmar. 

Acontece que o volume cúbico de dejectos com que me bombardeiam diariamente as paredes da casa e a viatura, têm aumentado a olhos vistos de ano para ano, deixando-me em mãos com um grave problema, apesar da sua beleza indiscutível, dos alegres chilreares e tal coiso. 

Tem dias, porque como sabem tudo tem dias, que ao fim da tarde cantam num coro frenético, completamente enlouquecidos. Também acho belo o cantar dos pássaros, a sério que acho!
...se não for mesmo à minha janela e se não tiver semelhanças com um debate polémico e acalorado na Assembleia da República, ou com o Alberto João Jardim, numa discussão acesa com a malta do con'tnente.

Em suma...
Eu até gosto das aves, em liberdade.
Gosto mesmo muito!

Com contrapeso e medida, tal como o amor!

Não se queixem de que não avisei. Sou mais prosa que poesia...



2 de junho de 2012

certezas!

ora cá está um ser que me adora incondicionalmente...
tão bom ter estas certezas!

12 de maio de 2012

coisas


De bom, que bom, tão bom…este tempo traz-me de volta o telheiro das traseiras. Se me interrogasse sobre a minha zona de conforto espiritual, seria sem dúvida o meu telheiro nas noites quentes.
Fico-me por ali, esquecida do mundo, lembrada de mim. O silêncio não me incomoda pois não sou dada a solidões completas, tenho sempre um cão ou um gato com quem quebro os silêncios de fora. Por dentro a cabeça fervilha em constante espiral e martelares de inquietações ora boas ora más, ora porque sim, ora porque queria que não mas outra vez sim.

A frase escrita em castelhano ‘Lo siento. Perdon.’ que me ‘LIXOU’ talvez por isso mesmo, porque tinha pelo menos de ser em português, ou porque tinha antecipadamente de ser escrita por mim, em vez daquele ‘Vai-te fecundar (terminado em er) ó espanhol!’….e a Espanha que parece que me está colada aos poros nos sons, nas cores, nas histerias da língua. Sem sofrimentos de maior, pelo menos que se notem, só mesmo para me atazanar as calmarias…

Os sulcos na cara que me ferem os pensamentos e me magoam as idas ao espelho insistindo contra a minha vontade em recordar-me o que não me apetece agora…

A osga na penumbra da parede, que me parece um dragão que se recusou a crescer…

A hortência no vaso que ressuscitou os verdes passados três anos…

As saudades das conversas regadas de outros Verões, sempre ali…

A vontade quase sempre de escrever para mim ou para quem quiser apanhar, infalível nas tardes ou noites de telheiro…

Tantas coisas, tanta coisa, tantos eu por dentro que me saem para fora ali no meu telheiro santuário das traseiras, nem muito feio, nem muito bonito…apenas tão mágico e sobretudo tão só meu que todos os que por lá passam são apenas inquilinos, embora não saibam.

7 de abril de 2012

pequenas.GRANDES coisas

foram estas as pequenas.GRANDES coisas 
que tornaram a minha vida mais colorida no último ano


num exercício de memória,
consegui deslindá-las 
com uma incrível facilidade 




as inseparáveis botas, prenda de Natal filho

     o Ice.T, que entre outros devaneios, me faz sorrir
 quando implora por beber água da torneira do bidé

a bela da bolacha Maria que me ajuda 
a preencher as noites longas

os líquidos de cheiro, que a Carla 
teve a simpatia de me apresentar

 o meu mais-que-tudo casaco quente de lã
 preta fofinha e despenteada

o maravilhoso queijo Camembert, que deixou de ter 
um cheiro insuportável desde que fui a Paris com a Ilda

os meus Crocks-Xanatas do Lidl, pau para toda a obra

o meu meio-copo de vinho tinto - Alentejo ou Dão
que me acompanha ou antecede a merecida paz do jantar

os Jarros que o Vitor apanha do seu quintal para
 me oferecer porque sabe que adoro

a minha botija de água quente, receita da mãe Lourdes,  
que tanto me alivia as dores nas "cruzes"

o sabão de óleo de Argan que trouxe de Marrocos e me faz doer a alma só de pensar que se vai acabar um destes dias

os benditos óculos da Casa, que me têm valido 
na falta dos que o Ice.T roeu


já pensaram quais foram as vossas pequenas.GRANDES coisas?


28 de março de 2012

perdidos e achados

sem me dar conta, perdi-me!
se por acaso alguém me encontrar por aí, faça o obséquio de me devolver à procedência.

muito grata pela atenção
Ana GG

15 de janeiro de 2012

Snack-Bar Agapito...a redacção

Tenho que me apressar, não vá o Diabo tecê-las!
Aqui nas minhas redondezas, que isto é sítio dos bons, daqueles a que se tem tudo o que é de direito, embora não pareça assim à primeira vista, existe um snack-bar, o "Agapito", que merece honras de destaque. 
Posto isto, prevendo que a situação possa mudar de figura e enquanto se mantém O Agapito das Bifanas, sem mexidas modernistas, minimalistas e tantas outras coisas não menos istas que agora não me ocorrem e que os herdeiros do Agapito poderiam aplicar ao estabelecimento, antes de começarem a comercializar bifanas gourmet, vou passar à redacção sobre o dito cujo.

Pois bem, o Agapito fica à beira de uma estrada e é frequentado, sobretudo, por nativos da zona (posso até avançar que têm mesmo ar de nativos da zona, se é que me faço entender), que num ambiente entre o tasca rasca e snack-bar moderníssimo de 80, com tecto falso todo ele em quadriláteros que outrora de alva brancura, sucumbiram ao fumo do tabaco - pois sim, que no Agapito pode-se fumar! - se enfrascam de aguardentes incolores, medronhos espessos e copos de vinho variados, que vão desde o branco ao tinto (...piada seca, admito). E bebem e bebem e bebem, conversam um bocadito e voltam a beber e a beber e a beber...e às vezes desconversam e pronto, assim se passa o tempo no Agapito.

Por vezes lá entra uma mulher (entenda-se gaja, para os nativos)muito à cautela, para comprar as famosas bifanas com segredos de receita, gulosas e salvadoras de almoços preguiçosos...nas quais me incluo!
Também é frequentado por grupos de estrangeiros residentes, amantes do very tipical e pouco dados a esquisitices. Sentam-se na esplanada com vista p'rá estrada e bebem compais entremeados de imperiais. São já conhecidos da casa, recomendados por outros cámones amantes das portugalices.

Enquanto se espera pelas encomendas, nos bancos altos do balcão, não se desespera porque os olhos ficam sem mãos a medir, porque há as rifas de chocolates, o Pikachu de porcelana dourada chinesa, as conchas variadas, o Pai Natal de peluche e os azulejos com dizeres parvos e cómicos e cómicos e parvos...ai os azulejos que são uma autêntica perdição! "A minha sogra é uma santa, só é pena não estar no céu", ou ainda "Nesta casa só se fia a maiores de 90 anos, acompanhados pelos pais".

Caramba...como gosto do Agapito das Bifanas!


8 de janeiro de 2012

2 de janeiro de 2012

________enleios


Neste novo ano, contrariando a preocupação quase paranóica dos anos anteriores em que o ano tinha de ser imaculadamente estreado com o máximo de assuntos resolvidos para que assim permanecesse todo o ano, desde a limpeza do carro, ao arranjo dos electrodomésticos, aos cocós de cão apanhados meticulosamente com o cuidado de não existir a mínima falha…em suma, a chamada entrada com o pé direito. Neste novo ano, como ia dizendo e para que não me perca mais em deambulações, entrei (entrámos) com o PÉ ESQUERDO, um bocadito enleados.

  • Urgência médica a 31 de Dezembro, aqui para a mãe, urgência médica a 1 de Janeiro, ali para o filho, urgência médica acolá para a mota a 2 de Janeiro;
  • Autoclismo avariado, com águas correntes ininterruptas, apesar das torneiras fechadas quase a cadeado, transformando o chão do WC num húmido pantanal;
  • Ausência de luz, numa parte da casa, obrigando ao uso da máquina de lavar roupa, com uma milagrosa extensão que atravessa parte da cozinha;
  • Carrito a precisar de uma boa aspiração e escovas novas, que já funcionam como sujadoras de vidros;
  • Óleo da mota derramado no quintal, tornando o acesso à porta de entrada, numa quase pista de patinagem artística.

Caótica a situação!? Descuido e má gerência da responsável deste bocadinho de vida!?
NÃO!!!!!!! Faz tudo parte de um plano!

Estou apenas a inovar. Nos anos anteriores, a preocupação pela ordem não tem resultado, assim, na antevisão de um ano difícil, resolvi deixar as coisas como estavam, enleadas! 
Adiar o inadiável, esperar para ver…

Depois, prometo que vos conto se resultou. Caso se confirme a eficácia da ‘coisa’, podem começar a pôr as cuecas azuis de parte e estrear os vossos novos anos, na maior das bandalheiras, just in case.


obrigada pela visita!

pessoal que gosta de estar a par destas andanças

facebokiANOS a par desta coisa