quando atingimos uma certa idade, os srs. doutores resolvem checkar-nos as entranhas na ânsia de nos descobrir maleitas que lhes garantam o trabalho (nada contra, que eu cá até gosto bastante de alguns médicos…de outros, nem por isso).
nestas minhas andanças, esgravataram-me imensas coisas e descobriram, pasme-se, uma glândula supra-renal direita com uma grande bola de ping-pong, ou de golf, a ocupar todo o espaço que era suposto estar livre. ora logo a mim que me havia de acontecer esta porr@, eu que nem tinha conhecimento deste dito órgão, pequenito mas MUITO marafado, que controla imensas coisas chatas.
a partir daí, são exames para aqui e para acolá, tudo certinho,massssss….faça lá mais uma vez. será que essas fraquezas poderão ser efeitos colaterais, e as tonturas e o estado de ansiedade…poderão ser, ou talvez não!? também poderão ser efeitos colaterais da falta do pagamento da mensalidade que o pai achou que não devia continuar a enviar ao filho (embora ele ainda dependa de nós e ainda respire)…
tudo se mistura, tudo se confunde, tudo me lixa!
daí que, em princípio, vá ser operada, para retirar o raio da glândula direita (eu que sempre fui de esquerda) e livrar-me das duvidas todas.
pior mesmo é que tenho aversão a cicatrizes!
*ando com uns desabafos chatos. não consigo ficar calada. Tenho que exorcizar os meus fantasmas porque não me apetece implodir.
NOTA IMPORTANTE: não são obrigados a ler estas coisas chatas!
Já aqui falei do prazer, relegando o desprazer para lugares remotos e sem honrarias de coisa importante.
Desprazer é o que sinto quando as energias me falham em teimosias de não cumprimentos constantemente adiados, à espera de magias de coisas feitas em “PUFS” de já está e não custou nada.
Desprazer é um querer que seja assim, com um resultado que acaba por ser assado
É querer ir ali à Índia, só para ver as cores e os cheiros e não poder
Desprazer é quereres poder não gostar do que não deves e ainda assim, gostas que te fartas
É quereres dizer que não quando não te apetece mesmo, sem teres de te desdobrar em argumentos que não te apetecem
É parecer-se egoísta, sem no fundo se ser
É gostares muito de alguém ou de alguma coisa mas não te apetecer
É teres problemas que se encavalitam uns nos outros e que crescem… crescem, p’ra caraças, como cogumelos em represas, e sentes que não dás conta porque estás em modo “não me tirem do meu buraquinho” porque aqui é que estou protegida
Desprazer é um estado lixado, que dificilmente nos faz rir, mas que quando faz com que aconteça, é quase tão bom como quando descobrimos que conseguimos andar de bicicleta sem as ridículas rodinhas traseiras
O desprazer também é um estado de relevante importância…proporciona-nos o enorme prazer de podermos livrar-nos dele!
NOTA da AUTORA: nem tudo em mim, é de momento desprazer…os meus 2 primeiros dias de trabalho, correram muito bem, para que saibam ;)
Nem sempre me encontro neste estado ácido de limão verde(mal seria de mim…), mas nestas minhas fases críticas em que fico mais irritadiça, chego a atingir um estado quase perigoso , daqueles que me fazem subir literalmente a mostarda ao nariz, perante algumas coisinhas “fofinhas” que um rol de pessoas consegue escrever, aconselhar, citar, colar, partilhar…será a chamada inveja da aparente felicidade alheia?
Ele há gente que consegue partilhar continuamente com os restantes mortais a ideia de que a vida é bela. É pessoal BUÉ de positivo, sempre “queriducho”, sempre com umas frases filosóficas na manga, de sua autoria ou gamadas ao “Citador” mais próximo de si (por vezes bastante duvidosas), que nos fazem sentir uns verdadeiros infelizes, incapacitados…causam-me um estado de pessimismo tramado, porque nunca chegarei a esse suposto estado de graça, nem que me pinte de amarelo.
Outras (e são pessoas de carne e osso, acreditem!), têm nas redes sociais, uma palavra amiga para todas as ocasiões, muitos bons dias e boas semanas e tudo de bom…dia após dia. Simpáticas! Pois sim…
Agora pergunto-ME, será isto possível, tanta alegria, tanto bem estar, tanta simpatia? Ou serei eu um ser perfeitamente alimonado a precisar de uma colher de açúcar? E não me venham com a famosa teoria “o que tu precisas sei eu”, heheheheh…
Não atravessam o raio da crise que se faz sentir???? Nunca se vão abaixo, esse humor está sempre em alta?
Bem, acaso me possam dar a receita para tamanho estado de felicidade e bom companheirismo, estou aberta a mudanças. O que não vai ser tarefa fácil, embora reconheça, humildemente, que não posso continuar casmurra toda a vida.
Muito grata pela atenção e desculpem qualquer coisinha!
Já faz tanto tempo quem nem sei se ainda sou capaz de debitar alguma coisa que faça sentido.
Tantas vezes se constroem ideias na minha cabeça, começos de frases que poderiam desenrolar-se de uma forma gira. Tantos arremessos de vontade, tantos apetecia-me escrever hoje…e no fim, a maldita preguiça a castrar-me.
Inevitavelmente no mês de Agosto, faço as pazes com a casa, a quem ofereço a minha presença constante e da qual tenho uma enorme dificuldade em me separar, como se estivéssemos unidas por cordas do tamanho de amarras. É o telheiro das traseiras, fresquinho de dia e aconchegante no princípio das noites, é o quarto com a cama convidativa às sornas da tarde. O adiar as idas ao supermercado, as idas à praia, as simples idas que se estendem para fora do portão…OBRIGADA, casa! Que me aceitas assim de seguida, sem tréguas minhas e sem queixas tuas.
Fujo dos convites, ainda que simpáticos, fujo das conversas, fujo dos calores, fujo de todas as casas que não são a CASA e de todas as paisagens que não são a minha. Fujo do cansaço e fujo talvez de mim, ao fugir de vocês.
Em devaneios caprichosos, permito-me ter saudades das torradas da minha mãe, as melhores do mundo.
Permito-me quase odiar os magotes infernais que atacam os supermercados, como se o mundo estivesse para acabar e os bunkers precisassem de se encher de provisões.
Quase odiar, o esgotar dos iogurtes líquidos e das sangrias doces e baratas, nas prateleiras.
Quase odiar a dupla de emigrantes do Luxemburgo, que se permitem ter conversas do mais ordinário na fila, como se nós não percebêssemos o português…que culmina com a entrada triunfal num carrão topo de gama.
Em contrapartida, adoro o quente do chão que me deixa andar descalça.
Adoro a cor do céu que quase me fere a vista. Adoro andar para aqui assim, sem grandes responsabilidades, sem grandes compromissos…à espera que passe o Agosto porque sim e a temer que passe o Agosto porque sim, também.
Estou naquele famosíssimo estado muito comum às mulheres “à beira de um ataque de nervos”. Anteontem descobri umas manobras estranhas no enorme quintal da VIZINHA, ontem uns senhores começaram umas escavações no dito cujo e hoje…há meia hora, mais precisamente, quando saí para comprar tabaco, fui informada de que a VIZINHA iniciou a construção da módica quantia de 5 vivendas geminadas de 1º andar, no terreno do seu quintal.
Há 18 anos, quando vim morar para este paraíso, não contava que a VIZINHA fosse plantar um bloco de casas coladas ao meu muro. Esperava ter para sempre a mesma privacidade e vista, uma vez que não existia nenhum terreno pelo meio, além do famoso quintal…
Não estou psicologicamente preparada para esta invasão que se vai instalar nas traseiras do meu quarto.
Não estou preparada para ser observada dos primeiros andares de 5 famílias, por mais simpáticas que sejam.
prazer, prazer, dão-me os fins-de-tarde que terminam no sofá azul do telheiro da cozinha.
meio copo de vinho, sempre tinto e meio cheio, saboreado em recordações de um vidrinho anos 70, resto de infância, com florinhas entre o hippie e o naif...
as vistas são o pedaço de quintal mal amanhado, mas prazenteiro de verde, campo, céu, o ladrar longe dos cães dos outros e o brincar perto dos meus. o ruído de um ou outro carro que me faz lembrar a estrada, não muito perto, não muito longe.
o quase sempre pensamento na irmã Bea que se esconde numa destas estrelas do meu céu do quintal das traseiras.
PRAZER, PRAZER é gozar este momento, quase só comigo e em perfeita PAZ.
não esquecer, desligar a musiquita do lado direito
Estou a escrever este texto, crónica, desabafo, baboseira ou o que lhe quiserem chamar, directamente de um boteco de montaditos em Ayamonte. A terminar um “jarro de cerveza”, que não é mais que uma caneca, e beberia outra não fosse este maldito sentido de responsabilidade que me persegue e na eminência de ficar alcoolizada em terras de Juan Carlos, que, era de facto o que me apetecia de momento.
Para chegarmos ao porquê deste, hoje, “jarro de cerveza” temos que recuar quase dois anos, quando descobri com uma enorme estupefacção, que o gato Serafim, bem como a restante família felina, eram portadores de SIDA felina. Ora o gato Serafim, o meu gato mariconço, frágil, caseiro, tímido, muito pouco dado a socializações e para quem quase só EU existo, não merecia ter sido contagiado, sem sequer se ter exposto ao perigo das redondezas.
ADIANTE…
A família acabou por morrer e o Serafim tem resistido estoicamente, cada vez com + mazelas, + magricela e com muito mau aspecto e eu…sempre à espera do dia D.
Ontem à noite, para espanto, começou a esvair-se em pus e entrei em estado de choque. Telefonia para as urgências veterinárias e a doutora (tão, mas tão QUERIDA) tratou de me acalmar, deu-me instruções de combate e mandou-nos lá estar logo de manhã. E fomos, logo, logo, os primeiros…eu nervosa e o Serafim a chorar todo o caminho, porque gato que se preze não gosta de caixas transportadoras.
E a veterinária olhou com olhos de pessoa experiente e ditou a sentença “o mais sensato era dar-lhe uma injecção para morrer”, e desta vez fui eu a esvair-me num filho da put@ de um choro, que me impediu de aceitar a proposta. E chegámos a acordo quanto ao adiamento da morte do Serafim e concordámos também em que ele ainda tem muita energia e que provavelmente ainda se vai aguentar muito tempo, cada vez com mais mazelas, mas com uma resistência felina que lhe permite estar desperto e mover-se e comer pouca comida de gato e muitas guloseimas de humano e seguir-me para todo o lado e gostar de mim como se eu fosse o seu ídolo e eu, ADORÁ-LO incondicionalmente (e estar feita parva, sozinha, a chorar no meio de uma cervejaria em Ayamonte).
BEM, vai daí que sai da veterinária, fui comprar antibiótico, mediquei o Serafim e fugi de mim…
Vim para a Espanha que tanto gosto, apesar desta zona ser como que o parente foleiro, a ouvir Ayo, como se não houvesse amanhã. A necessidade de sair de casa e de ouvir castelhano, porque é a língua que fica mais à mão, era tanta que fugi, literalmente…vontade mesmo tinha de ouvir um sotaque argentino, ou indiano, mas isso ficará para uma outra oportunidade.
Ficaria aqui a escrever mais umas tantas horas, mas não os quero massacrar...se é que conseguiram chegar até aqui.
Raios me partam (por favor deuses, não levem esta profecia muito à letra) se um dia não escrevo um livro a contar coisas. A contar coisas minhas em jeito de estórias iguais às vossas.
Soubesse eu os truques da escrita…
Acabei a cerveja, são 16.00 horas, vou regressar ao português, ao Serafim…e a mim!
para que saibam, o meu Serafim já foi um gato lindo
Digamos que a cada vez maior falta de poder de compra e um pequeno grande amuo com o meu médico particular, fizeram com que passasse a recorrer à médica de família…e lá vou, cantando e rindo.
O “meu” Centro de Saúde, mesmo que se chamasse “Centro de Distribuição de Euros Só Porque Sim”, seria ainda assim uma coisinha triste e deprimente…
Um edifício supostamente moderno, inaugurado talvez com pompa e circunstância há 10 anos, em que o bom gosto se perdeu nas poupanças dos restos de materiais com que foi erguido. CARAMBA, é tão feinho, tão deprimentezinho, tão decadentezinho, que nem que me perca em “inhos” lhe consigo atenuar os defeitos e feiuras.
A cada nova visita lhe descubro mais enfeites de estuques caídos e tintas submersas em escuros bolores. As paredes alegradas por cartazes enxovalhados presos em excessos de fita-cola para se manterem firmes e hirtos. Uma planta trepadeira estende-se por toda a recepção, numa mistura singular entre o longo e o careca das folhagens que se prendem àquele caule a perder de vista.
A funcionária, ela própria a fazer pandam com o cenário, mergulhou o único armário existente (maior parte dos dossiês estão entricheirados no chão) em imagens que a fazem respirar a terra que deixou. Pronuncia madeirense muito acentuada, um ar eficiente que tanto se desdobra em simpatias como em perfeitas alarvidades, dependendo da posição dos ventos. Um andar que se faz seguro com a cabeça ligeiramente inclinada para o lado direito, e a desenvoltura de um touro que se prepara para investir. Roupagem num misto de casual desportivo, com alguns, muitos, resquícios do filme Aquarius, em versão BollyWood.
A clientela é maioritariamente feminina, sendo que os rabos enormes vencem com uma enorme vantagem (BOLAS que as portuguesas têm traseiros generosos).
Perto da hora do almoço o espaço enche-se de delegados de propaganda médica que dão um ar mais composto à coisa, por momentos chegamos a pensar que estamos à espera da abertura das portas de um teatro.
Hoje a coisa até correu bem...
É que no outro dia, a senhora funcionária esqueceu-se que a fechadura, da única porta existente estava avariada, foi almoçar e trancou-nos lá dentro. Sendo que as janelas têm gradeamento, foi assim um bocadinho aborrecido. Valeu-nos um Mc Giver enfatado da propaganda médica mais um senhor de idade que do lado de fora, nos ia fornecendo chaves de fendas e alicates e ainda muitas outras chaves todas giras e muito eficientes.
As micoses do nosso sistema de saúde alastram-se e arrastam-se…e, e, e…mas que chatice, porque é que isto é assim?!
sou____________umas vezes ASSIM,
outras ASSADO (muito mais prosa do que poesia, muito mais assim do que assado...)
sou a Ana, do Sul...e mais não digo!