10 de dezembro de 2010

enfeitações, alegrias e desilusões natalícias



Não me cheira a Natal. Verdade se diga não me cheira a quase nada, que o meu olfacto anda meio desnorteado, com as faculdades perdidas entre o tabaco e a última constipação...por assim dizer,  o meu nariz perdeu  o Norte.

Voltando ao Natal, que passou a muito triste depois das mortes da família e passou a deslavado depois do divórcio, porque a minha família é pequenina, muito, muito, e os laços com a mais distante são muito pouco consistentes (pelo distanciamento, por perguiça, por erro meu e deles, por e por e por...).

Quando era miúda a época festejava-se da forma humilde possível a um casal com três filhos e em que o ordenado (só) do pai era esticado para a malta comer e vestir.
Sem querer ser saudosista, mas não me inibindo de ser nostálgica, desencadeava-se cá uma alegria na minha cabecinha, que só visto.

Os preliminares começavam com a apanha das tirinhas de musgo para o presépio, esse, sempre igual a si próprio com as figuras de louça (feias comó caraças, mas que eu venerava...reconheço)e um espelhinho redondo, que era o lago do pato de plástico amarelo.
O pinheiro natural chegava pelas mãos do meu pai, outra festança para mim. Redondinho como os pinheiros mansos, com uma folhagem assim feiosa e para o careca. Era o que se podia arranjar, porque a moda dos pinheiros nórdicos, bicudos e farfalhudos ainda nem se vislumbrava. Mas caramba, era cá uma excitação a chegada do dito cujo.

Os meus irmãos, muito mais velhos do que eu e nada dados às artes cénicas, estavam-se bem nas tintas para a estética da coisa...daí que a enfeitação ficava a cargo da minha mãe que me dava espaço para ser o seu braço direito,  a perna esquerda e ambas as mãos, por assim dizer. 
Devia de haver uma estrela porque há sempre, mas tal pormenor varreu-se-me da memória. Bolas poucas, pequenas e médias, cada qual da sua freguesia, num aparatoso convívio com umas fitas a descondizer com as ditas. Este aparato mantinha-se fiel à casa e esperava ansiosamente para sair à cena, ano após ano.

O ponto alto eram os enfeites de chocolate pendurados com uns fiozinhos dourados...ai que prazer me dava espalhá-los pela árvore, ai que díficil era conter-me para não os comer até ao dia de Natal...ai que desilusão e choro, quando nesse mesmo dia descobria que o meu irmão os tinha comido literalmente todos, deixando as pratas intactas, vistosas e OCAS! 
Confesso que é a minha pior e mais alegre recordação natalícia.

Aiiiiiiii!!!! Não conto mais porque o texto já vai longo. Como escrevo pelos cotovelos e uma vez que as palavras são como as cerejas e estamos em tempo de romãs...

FELIZ NATAL para todos vós!
(a sério, não estou a ser apenas simpática e mimosa)

PS. Temos um cão novo,
o Ice-T, lindo de fazer inveja
a qualquer mortal que com ele
se cruze.

17 comentários:

meldevespas disse...

ó Ana, o que escreveste podia ter sido escrito por mim!!! o musgo, o presépio, o pinheirinho pró pelado trazido pelo pai, os irmãos muito mais velhos, três filhos, os chocolatinhos pendurados na árvore e surripiados pleo mano, eu e a minha mãe e as enfeitações só por nossa conta e risco, as fitas feias e desencontradas! está aí toda a minha infância. Amei!
é bem verdade que as agruras da vida vão tirando brilho a estas coisinhas. eu por enquanto ainda me vou "pendurando" nos meus rebentos, especialmente a mais nova que ainda vai vivendo neste deslumbramento todo.
Feliz Natal pra vocês aí em casa e um beijo muito grande.
ahhh e se o Ice-T é este gaijo aqui ao lado, é mesmo uma coisa de se comer à colher
(porra daqui a nada ainda escrevo mais q tu...)

Ana GG disse...

Ai meldevespas

Tu não me digas que tivemos Natais sintonizados!?
Era tudo tão poucochinho e tão maravilhosamente BOM!

O Ice-T é de se comer a faca, realmente.

Passem um Natal do melhor!

Élia disse...

Olá! Tens a certeza que não passavas o Natal em minha casa? è que tb sou a mais nova, a diferença de idades tb é boa e o meu irmão... tb comia os chocolates do mesmo modo que o teu... A diferença está no ordenado (tb SÓ do pai) que nunca percebi porquê durante muitos anos, nesta altura não existia (para além de não existir subsídio de Natal o meu pai, nesta quadra encontrava-se quase sempre em situação de desemprego que durava por volta de 2/3 meses). Mas, e agora ainda mais admiro o modo como a minha mãe se "organizava" para que tivessemos alegria e alguns doces no Natal. Sim, porque os "presentes" de maior peso eram uns cartuchos de papel pardo com umas risquinhas e fechados em "orelhas" cheinhos de lápis, ratinhos, sombrinhas... de chocolate! As prendas pedidas e escritas nunca apareciam, sabes o menino Jesus está muito pobrezinho este ano deve ter o pai tb desempregado... e eu compreendia. Sim, porque há sempre uma tia que mais ou menos remedeia a situação e aparecia sempre uma camisa de dormir, umas meias mais da moda... Ah como uma camisa de dormir pode ser uma presente de sonho! Depende dos sonhos com que a embrulhas e da magia com que aprendes a desembrulhá-la. (o pior era depois...para contarmos aos nossos amigos os brinquedos que (não) tinhamos tido - aí doía um bocadinho o sofrimento que sabia ter a nossa mãe ao ver noutras mãos o "chorão" que eu pedia. Cristina, estou a chorar! Quem me dera que a minha mãe, o meu pai, a minha tia me entregassem neste Natal uma camisa de dormir.
(mesmo nessa altura não acreditava que o meu Natal fosse pior que qualquer um. Nós gostávamos tanto uns dos outros.E contávamos muitas histórias!) BOM NATAL feliz e quentinho para todos (como o meu foi)

Nota: foi um choro tão bom. Sinto-me em paz.

Ana GG disse...

Élia

Que caraças, arrepiei-me da cabeça aos pés...

Já passou!
(não sendo o desejável, era tão bom)
A camisa de dormir chega de outra forma, ao coração.

Um feliz Natal para vocês!

É bom saber-te em paz.

Pronúncia disse...

Acabaste de descrever o Natal na casa dos meus avós. que era onde eram sempre os meus Natais.
A árvore era a mesma, o musgo, as bolas, as fitas, os chocolates, o espelho a fazer de lago, só o pato é que era diferente, era de barro. a Estrela havia, mas não na árvore, ficava sobre o presépio, onde a figura maior era o Menino Jesus com um S. José e uma Maria bem mais pequenos que eles e um burro e vaca que quase nem se viam... que saudades!

Ana, para ti e para os teus, desejo-te um Natal muito feliz! :)

Ana GG disse...

Pron

Na nossa geração, os Natais das famílias chamadas então "remediadas", eram muito parecidos.

"És pobre? És rica? Não, sou remediada!"

Um feliz Natal para ti e toda a família!

rose disse...

O Natal fez-se saudades e a tristeza envolve as rabanadas que faço sempre, tal qual a minha mãe.Quase sempre, o ponto do açucar,a lágrima salga.

O Natal pertence à infância e à adolescencia.

Uma procura do tempo perdido?

Mas com o Ice,sempre haverá rebuliço...e para não quebrar o ritual ,um Natal divertido para todos aí :)

Ana GG disse...

rose

quem me dera saber fazer rabanadas...

que passem um muito feliz Natal!

Princesa Destilada disse...

Custa-me recordar os Natais de antigamente. Os meu eram muito diferentes, mesmo quando ainda os "festejava". Fiquei a pensar em como os Natais de poucochinhos podem ser felizes, em famílias onde há grandezas bem mais valiosas que o tamanho da árvore de Natal. Hoje esforço-o pelo meu filho, mas nunca mais o festejei, nem creio que venha a fazê-lo.
Em todo o caso, um feliz Natal para ti e para toda a tua família (incluindo o novo membro que, além de lindo, é seguramente um grande sotudo!).

Vitor disse...

Feliz Natal,com bons livros…e muita escrita da boa,é o caso!

Bj*

Maria disse...

Ana menina do Sul,

que Ice-T lindoooooooooooooooooooooo :)

beijinho do Centro igualmente sem cheiro :)

Storyteller disse...

De há uns anos para cá, por motivos vários - alguns bastante semelhantes aos teus - o Natal tem perdido encanto. Os Natais da minha infância eram um bocadinho diferentes dos teus. Véspera de Natal na minha casa, com árvore artificial que quando foi trazida de África pelos meus pais(onde, segundo consta, as modernices chegavam primeiro) media uns garbosos 2 metros e muito e que, era já eu ser vivo com um ano e pouco, consegui provocar um curto-circuito nas luzinhas (tão lindas! com tantas cores! olha a bebé a ir deireitinha a elas!) e reduzir a árvore a um mísero metro e pouco. Tios, primos e avó, tudo da parte do pai, juntavam-se na noite de Natal e eu - era certo e sabido! - recebia sempre uma caixa Lego maravilhosa! Vem daí a minha paixão por Legos (a minha paixão por Sugus também é muito precoce, mas é outra história). No Dia de Natal, rumávamos a Cascais, a casa de tios maternos, retornados (quem se lembra desta palavra?). Para mim, apesar do Lego da noite anterior, este era o verdadeiro Natal. As recordações, não com saudades, não com nostalgia, mas sim com um carinho imenso, são tantas... os cheiros, as luzes, a lareira, a tarte de amêndoa, o café feito em balão, os meus sete primos todos mais velhos!
Este ano, particularmente, e sem razão aparente, sinto-me triste. Cansada. Desalentada. Nem a alegria de ver os meus filhos entusiasmados com o Natal consegue pôr-me um sorriso na boca. Enfim...

Quanto ao Ice-T... é liiiiiiiiiiiindo de morrer!!! Já te disse que tenho umas saudades (agora sim: saudades!) tremendas de ter um cão?

Um muito Feliz Natal para a tua família pequenina mas de coração bem grande onde todos cabem sem esforço!
***

Vitor disse...

Venho por este meio informar que já me encontro disponível para receber prendas de natal. Evita as filas e as correrias no acto da entrega, aceito cheques visados, dinheiro vivo, roupa de marca, telemóveis topo de gama. Até vivendas de luxo…
Despeço-me aguardando o teu presente. Como deves estar tesa como eu, aceito do coração, um simples sorriso.

Boas festas

Ana GG disse...

Princesa

O Natal dos "remediados" era de uma simplicidade fantástica. Tudo era mais intenso, porque qualquer pequena coisa se tornava grande aos nossos olhos.

Provavelmente tens motivos muito fortes para ter deixado de festejar o Natal...lamento.

Tudo de bom para ti, filhote e restante família!

Beijos

Ana GG disse...

Vitor

Umas festas felizes para ti e família!

Bjo

Ana GG disse...

Maria menina do centro

O Sul, ainda sem cheiro, envia beijinhos quentes e bons!

Ana GG disse...

Maria João

Sortuda, com "ganda" árvore de Natal. Eu não tive Legos...mas tive bebés chorões de Espanha que eram do mais sofisticado, heheheheh...todos os nossos natais foram fabulosos, cada um à sua maneira.

Lamento que andes assim, desalentada.Vais ver que isso passa. O facto de não teres passado a véspera com os filhotes deve ter influenciado bastante.

Nós por aqui, passámos os três...e gostei muito. Agradeci pela felicidade de poder estar junto das 2 pessoas que mais gosto, a minha mãe e o meu filho.

um beijo muito grande


obrigada pela visita!

pessoal que gosta de estar a par destas andanças

facebokiANOS a par desta coisa